segunda-feira, 11 de julho de 2011

INJUSTIÇAS


SUZANAHERCULANO-HOUZEL
SUZANAHERCULANO-HOUZEL

Ver a justiça sendo feita ativa o sistema de recompensa do cérebro, o que nos deixa satisfeitos

O que é justo? Uma defini­ção simples é "aquilo que cor­responde aos seus valores de certo ou errado". O senso de justiça, ao se atrelarão certo/ errado, é, portanto moral -e, por isso, muitos esperariam que fosse racional. Mas não é: tanto os julgamentos mo­rais quanto o senso de justiça são altamente emocionais. E é bom que seja assim.

Se fôssemos guiados só pela racionalidade, aceitaría­mos qualquer oferta que nos beneficiasse, por mais injus­ta que fosse (considerando que qualquer dinheiro é me­lhor do que nenhum), e pou­co importaria se ofertas injus­tas são intencionais ou não.

No entanto, aceitamos dei­xar de ganhar, ou mesmo per­der tempo e dinheiro, para evitar injustiças -o que soa completamente irracional-, e até oferecemos compreen­são a quem é obrigado a ser injusto conosco. Com isso, ga­nha a sociedade, e nós tam­bém ganhamos: a longo prazo, nossa rejeição de injusti­ças contribui para coibir no­vas ofertas injustas.

O detalhe importante é que a aversão à injustiça é auto­mática e sem esforço. Esta se­mana, por exemplo, a rádio onde eu era colunista cance­lou meu boletim diário, mas queria que eu continuasse participando - de graça! - de um programa de entrevistas de grande audiência. Racio­nalmente, qualquer partici­pação na rádio deveria ser melhor do que nenhuma par­ticipação. Mas meu detector de injustiças, situado na in­sula anterior do meu córtex, falou mais alto: "estão sendo intencionalmente injustos co­migo". Rejeitei a oferta e dei­xei a rádio. E estou felicíssi­ma com a minha decisão.

Quanto mais a insula é sen­sível a essas violações do que cada um julga socialmente aceitável, maior o grau de aversão de cada pessoa à in­justiça (minha insula deve vi­ver aos berros). Às v e z e s, c o n ­t u d o, propostas injustas aca­bam sendo aceitas.

Nesses casos, o que se en­contra no cérebro é uma me­nor ativação da insula (a in­justiça é repulsiva, mas su­portável) e um aumento da atividade na região pré-fron­tal que suprime emoções ne­gativas. Ou seja: tolerar tratamentos injustos requer mui­to controle emocional.

Por outro lado, ver a justiça ser feita leva à ativação do sistema de recompensa do cérebro, o que nos deixa invo­luntariamente satisfeitos. E assim caminha a humanidade: repudiando injustiças e preferindo a justiça sem pre­cisar pensar muito a respeito. É, há esperanças...

SUZANAHERCULANO-HOUZEL
é neurocientista, professora da UFR], autora do livro
"Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor" (Ed. Sextante)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

ESPELHO NOSSO


Rosely Sayão
Rosely Sayão*
Faz um tempo que observo a movimentação nos horários de entrada e saída das esco­las. Fora os carros, que atra­palham o trânsito em todo o entorno, há crianças e adoles­centes que saem e entram, so­zinhos ou com seus pais.

É uma confusão geral: cor­reria, gritaria, malas enormes que são arrastadas sem o me­nor cuidado e que produzem muito barulho, buzinas estri­dentes etc. Sempre fico impres­sionada com a indiferença das pessoas envolvidas nessas si­tuações frente a esse caos que vivenciam.

Não é muito diferente o ce­nário que se observa durante o período do recreio, na maioria das escolas.

As crianças parecem ficar desnorteadas com tanta liber­dade: correm e gritam sem di­reção e, invariavelmente, tam­bém sem contexto.

O corre-corre e os gritos não fazem parte de alguma brincadeira que exige tais manifestações.

Um dia desses, vi um garo­to de uns dez anos, mais ou menos, correndo em direção a alguém quando saía da es­cola. Talvez o pai ou um cole­ga, não pude identificar. Acontece que, em seu trajeto, ele esbarrou com força em ou­tro menino um pouco menor que ele que, pela força do em­purrão, foi ao chão.

Você imagina o que aconte­ceu logo em seguida, não ê, lei­tor? Uma briga entre os dois meninos que, para ser aparta­da, precisou de dois adultos.

O garoto que corria não via mais nada além da meta que ele queria alcançar. Tudo o que estava em seu caminho, ele ig­norou: chegou até mesmo a pisar em uma mala estaciona­da que provocou um certo desequilíbrio em sua jornada. Ele conseguiu contornar esse obstáculo, mas ficou no próxi­mo, que era o outro aluno.

Dias depois, ao ler o jornal, vi uma notícia que me fez lem­brar desse caso.

O serviço telefônico da Po­lícia Militar de São Paulo re­gistra, em média, 70 ligações por dia para comunicar de­sentendimentos ocorridos no trânsito.

Pelo menos 20 desses con­flitos acabam com violência fí­sica entre os motoristas todo santo dia.

A relação entre os casos ê inevitável. Nesse mundo em que a vida é vivida com veloci­dade máxima e em que o ou­tro quase sempre é um estorvo ou uma ameaça, os adultos es­tão dispostos a brigar por qual­quer coisa a todo o momento.

O trânsito é uma oportuni­dade excelente para isso, já que é caótico e que consome um tempo precioso da vida das pessoas.

Por que as crianças agiriam de modo diferente, se obser­vam atentamente tudo o que acontece no mundo adulto? A criança, de uma maneira ge­ral, só aceita que outra seja seu par se essa estiver a serviço de seus interesses: a brincadeira que quer brincar, o passeio que quer dar, a lição que precisa fazer etc. Fora dessas situações, outra criança a atrapalha, a ameaça.

Ter de compartilhar brin­quedos, conviver com a dife­rença e tolerar defeitos não são atos comuns entre as crianças. Poucas delas aprendem essas lições, seja na escola que fre­qüentam, seja em casa, com pais e parentes.

O curioso é que, ao obser­varmos ávida dos mais novos, logo percebemos que: eles brigam em demasia; exageram nas reações quando se defron­tam com situações que lhes tra­zem dificuldades, decepções ou frustrações; não sabem ad­ministrar, tampouco resolver os conflitos que a convivência provoca.

Entretanto, não temos a mesma facilidade para cons­tatar que estamos fazendo o mesmo em nossas vidas e que, portanto, os mais novos têm aprendido conosco a agir co­mo agem.

Se conseguirmos retirar a venda de nossos olhos e enxer­gar tudo o que temos ensina­do a eles, talvez fique menos árdua a tarefa educativa, em família ou na escola.

Só assim teremos mais com­paixão e tolerância frente aos erros que eles cometem, já que, afinal, são provocados por nós mesmos.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)
Transcrito do Caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo

segunda-feira, 27 de junho de 2011

DEMOCRACIA REAL


Vlâdimir Safatle
As atuais manifestações que sacodem a Europa trouxe­ram uma reivindicação que há muito não se ouvia em países como Reino Unido, Espanha, França: democracia real.

Há algo de importante aqui. Pois poderíamos nos pergun­tar o que haveria de fictício na democracia de países que aprendemos a ver como exem­plos de sistemas políticos con­solidados. Por que largas par­celas de sua população com­preendem que há algo no jogo democrático que parece ter se reduzido exatamente à condi­ção de mero jogo?

Talvez tais manifestantes entenderam que a democracia parlamentar é incapaz de im­por limites e de resistir aos in­teresses do sistema financeiro. Ela é incapaz de defender as populações quando os agen­tes financeiros começam a operar, de modo cinicamente claro, a partir dos princípios de um capitalismo de espolia­ção dos recursos públicos.

Não é por outra razão que se ouve, cada vez mais, a afirma­ção de que a alternância de .partidos no poder não implica mais alternativas de modelos de compreensão dos conflitos e políticas sociais. Por isso, o cansaço em relação aos parti­dos tradicionais não é sinal do esgotamento da política. Na verdade, ele é o sintoma mais evidente de uma demanda de política, de uma demanda de politização da economia.

Em momentos assim, deve­mos lembrar que a democra­cia parlamentar não é o último capítulo da democracia efeti­va. A Islândia tem algo a nos ensinar sobre isso.

Um dos primeiros países atingidos pela crise econômi­ca de 2008, a Islândia decidiu que o uso de dinheiro público para indenizar bancos seria objeto de plebiscito. Maneira de recuperar um conceito de­cisivo, mas bem esquecido, da democracia, a saber, a sobera­nia popular. O resultado foi o apoio massivo ao calote.

Mesmo sabendo dos riscos de tal decisão, o povo islandês preferiu realizar um princípio básico da soberania popular: quem paga a orquestra, esco­lhe a música.

Se a conta vai para a popu­lação, é ela quem deve decidir o que fazer, e não um conjunto de tecnocratas que terão seus empregos garantidos nos ban­cos ou de parlamentares cujas campanhas são financiadas por esses bancos. Como disse o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson: "A Islândia é uma democracia, não um sistema financeiro".

O interessante é que, com isso, saímos dos impasses da democracia parlamentar para dar um passo decisivo em di­reção a uma democracia ple­biscitaria capaz de institucio­nalizar a manifestação neces­sária da soberania popular.

É tal processo que nos colo­ca nas vias de uma democra­cia real. Ele é a condição pri­meira para sair da crise. Pois a verdadeira questão que tal cri­se nos coloca é política: que re­gime político é este que permi­tiu um descalabro deste tama­nho na calada da noite?
Transcrito da Folha de São Paulo

sexta-feira, 1 de abril de 2011

DIA DA MENTIRA


Há muitas explicações para o 1º de abril ter se transformado no Dia da Mentira ou Dia dos Bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera.

As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril. Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

Em países de língua inglesa o Dia da Mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos, na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, o que significa literalmente "peixe de abril". No Brasil, o 1º de abril começou a ser difundido em Pernambuco, onde circulou "A Mentira", um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte.

"A Mentira" saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.

terça-feira, 29 de março de 2011

ANIVERSÁRIO DE CURITIBA


O ano era 1649. O General Eleodoro Ébano Pereira comanda uma expedição para subir os rios, passar a Serra do Mar e alcançar o Planalto. Tem o objetivo de encontrar ouro e índios e para isso recruta habitantes da Vila de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá, primeiro núcleo urbano do Paraná destinado à exploração do ouro. Os índios Tupi-guarani, Jê e Tingui que já habitavam a região do planalto denominavam-na Core-Etuba, cujo significado era "pinhal" ou "muito pinhão". A princípio se estabeleceram nas margens do rio Atuba, na localidade chamada Vilinha e, em seguida, mudaram a povoação para onde hoje conhecemos o centro da cidade, a Praça Tiradentes, e ali cresceria a Vila Nossa Senhora Da Luz dos Pinhais.

História

Como quase todas as cidades brasileiras, Curitiba teve como primeiros habitantes os índios das nações Tupi, Guarani e Jê, que tiveram suas culturas transfiguradas com a chegada dos garimpeiros por volta de 1649, em busca de ouro e riquezas da região.

Surgiram os primeiros arraiais e conta a lenda que uma capela foi erguida no lugar indicado por Nossa Senhora da Luz. Assim, nascia em 29 de março de 1693 a Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Nesta época o cacique Tindiquera da tribo Tingui pronunciou pela primeira vez o nome da cidade de Curitiba – "Coré-Tuba", que significa muito pinhão.

Curitiba, conhecida como "Cidade Sorriso", foi tropeira nos anos 1700, quando os condutores de gados implantaram hábitos, abriram caminhos, criaram e estimularam o comércio.

Em 1842 a vila ascendeu à categoria de cidade, com o nome definitivo de Curitiba, e em 1854 passou a ser a capital do Estado do Paraná.

A partir do século XIX passou a ser um pouco européia, com as imigrações em massa que mudaram o aspecto português da cidade. Os alemães chegaram em 1833, seguidos por poloneses, italianos, ucranianos e orientais no final do século, o que resultou numa alegre mistura que "fez a América" em Curitiba.

A vinda destes imigrantes contribuiu para uma diversificação de interesses da população tradicional, coincidindo com a criação e o início da aplicação da tecnologia na agricultura, com a criação de ferrovias e rodovias, e também com o surgimento de uma mentalidade sindical e cooperativista, exemplificada pelas associações instituídas na época e suas "caixas de socorro". Também na arquitetura houve uma mudança radical: basta andar pelas ruas e olhar as igrejas de cúpulas bizantinas, as casas com lambrequins e outras construções que são uma influência da imigração.

Através de três grandes planos urbanos, pós-Província com Taulois, dos anos 40 com Agache e Seret/IPPUC de 1965/1970, Curitiba promoveu quatro grandes transformações: urbana, cultural, ambiental e econômica. Neste processo, organizou sua estrutura viária, disciplinou a ocupação do solo, montou um sistema eficiente de transporte coletivo, implantou um grande programa de proteção ao meio ambiente e atingiu níveis invejáveis de qualidade de vida.

Geografia

Com uma população de mais de 1 milhão e meio de habitantes consegue manter uma área verde de 55m2 por habitante.

A cidade de Curitiba, capital do Estado do Paraná, está situada na Região Sul do Brasil: latitude 25º25'48'' Sul e Longitude 49º16'15" Oeste. Ocupa uma área de 432,14 km2 . A altitude média é de 934,6m acima do nível do mar. Seu clima é temperado, e com temperaturas médias de 21ºC, no verão, e de 13ºC, no inverno.

Origem

Curitiba deve seu nome à prodigiosa quantidade de araucárias (pinheiro do Paraná) que crescem em seus arredores. Em Língua indígena tupi-guarani "curii-tyba" significa muito pinhão ou muito pinheiro. A cidade foi fundada em 29 de março de 1693. A maior parte de sua população de 1,5 milhão de habitantes descende de imigrantes italianos, poloneses, alemães, ucranianos, japoneses, sírios e libaneses.

Capital Ecológica

Com 26 grandes parques e bosques, centenas de praças e jardinetes, conta com o maior parque urbano do Brasil, o Parque Regional do Iguaçu, com 8 milhões de metros quadrados. Ostenta o índice de 52 metros quadrados de área verde por habitante, que junto com programas de educação ambiental e reciclagem do lixo, lhe deram o título de Capital Ecológica do Brasil.

Transporte Coletivo

Reconhecida internacionalmente por soluções inovadoras, algumas premiadas pela ONU, a circulação pela cidade é rápida e segura, garantida por um sistema trinário de vias, com canaletas exclusivas para o transporte coletivo. Curitiba tem o mais eficiente sistema de transporte coletivo do país, com os ônibus da linha direta, os populares "ligeirinhos", as estações-tubo e os ônibus biarticulados que transportam 270 passageiros.

Atualidade

Hoje Curitiba é uma cidade moderna, com uma economia baseada na existência de indústrias de transformação e beneficiamento, comércio, turismo e prestação de serviços. É uma cidade que vem desenvolvendo projetos com objetivos de uma maior e completa integração e humanização da mesma.

segunda-feira, 28 de março de 2011

HORA DO PLANETA


Dicas para economizar energia elétrica


No sábado, dia 26, mais de 1 bilhão de pessoas por todo o mundo desligaram as luzes de suas casas durante a Hora do Planeta. Mas a atitude, um alerta sobre o aquecimento global, não pode ser mantida apenas pelos sessenta minutos do evento.

Para que você possa economizar energia elétrica no seu dia-a-dia, descubra hábitos dos quais você pode se livrar e ajude a preservar o planeta por muitas outras horas.

Tome banhos frios


Essa é um pouquinho mais díficil, mas vale por uma boa causa. Um banho quente, apesar de relaxante, consome muita energia elétrica. Ao trocar a opção do chuveiro de inverno para verão, você irá poupar eletricidade e ainda fazer bem ao seu corpo.
O uso do chuveiro elétrico é responsável por cerca de 25% do consumo residencial de eletricidade. Mas a conta de luz é apenas um dos benefícios do banho frio. A prática melhora a circulação sanguínea, revigora e fortalece o sistema imunológico, além de evitar o ressecamento dos cabelos e deixar a pele mais bonita.

Retire o carregador de celular da tomada


Depois de carregar o celular, retire o carregador da tomada. O equipamento continua consumindo eletricidade mesmo ao não estar conectado a nenhum celular, apenas por estar ligado à corrente elétrica.
Dados apontam que cerca de dois terços da energia utilizada pelos dispositivos móveis é desperdiçada desta maneira. Por isso, retire-o datomada assim que a carga do seu telefone estiver completa.

Não deixe objetos vazios na geladeira


Acabou a água da garrafa que fica na geladeira ou encontrou a bandeja de frutas vazia? Tire-as de lá. Com esse gesto simples você evita que energia elétrica seja gasta sem necessidade.
Mesmo vazia, a garrafa continua absorvendo o ar frio da geladeira - e contribuindo com o aumento da conta de luz no final do mês.
Por isso, quando ver uma garrafa, tapauer, panela, ou qualquer outro objeto que não esteja sendo utilizando dentro da geladeira, retire-o de lá e garanta que o equipamento resfrie apenas o que precisa ser resfriado.
Economize na hora de usar o computador
O computador é um dos aparelhos eletrônico responsáveis pelo alto consumo de energia elétrica em sua casa e no se trabalho. Com algumas dicas bem simples você pode fazer o seu aparelho gastar menos energia e aliviar seu bolso e o meio ambiente. Algumas mudanças na configuração da sua máquina ou a troca de alguns componentes também podem ajudar a reduzir o consumo.
A primeira dica é ajustar as opções de energia do computador e configurá-lo para ficar em modo de espera quando o equipamento ficar inativo por algum tempo. Para fazer isso acesse "Painel de controle"; "Sistema de operação" (se o seu computador operar com o sistema Vista), ou "Desempenho e Manutenção (se ele operar com o Windows XP); e por fim, "Opções de energia". Você encontrará três planos de energia e uma marcação (com bolinhas) de economia e desempenho em cada uma delas, marque a opção de mais econômico.

Desligar o monitor ou deixá-lo em modo de espera enquanto você dá uma saidinha é uma excelente forma de economizar energia. Além da tela, desligue outros equipamentos que não estiver usando, como impressora, scanner, HD externos etc.
E quando for comprar um computador novo lembre que os notebooks são mais econômicos que os computadores tradicionais. Se possível opte também por um monitor de LCD, que são mais econômicos e prejudicam menos a visão. Outra alternativa é escolher um computador que utilize uma fonte com PCF (Power Factor Correction) ativo ao invés de uma genérica, pois a primeira desperdiça menos energia.
Fonte: UOL

sábado, 26 de março de 2011

ANIVERSÁRIO DE PORTO ALEGRE


A cidade de Porto Alegre tem, como data oficial de sua fundação, a da criação da Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, em 26 de março de 1772.

Mas o povoamento de Porto Alegre é anterior a essa data. A área foi ocupada por casais açorianos, trazidos para se instalarem na região das Missões, que estava sendo entregue ao governo português em troca da Colônia de Sacramento, nas margens do Rio da Prata. A troca havia sido acordada através do Tratado de Madri, de 1750.

A demarcação do território das Missões, entretanto, demorou a acontecer. Em 1752 o rei português mandou que Cristóvão Pereira de Abreu, com 200 homens, iniciasse a demarcação. Quando chegaram em Rio Grande — que então era a sede da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul — foi determinado que oitenta deles ficassem nas proximidades de Viamão, construindo canoas que permitissem o transporte até as Missões, e que os demais explorassem a subida do rio. Os casais açorianos se fixaram, aos poucos, nesse local, que passou a ser chamado de Porto de Viamão — primeira denominação de Porto Alegre. Durante vinte anos ficaram na área, sem receber as terras prometidas e vivendo de uma agricultura de subsistência. Levantaram casas de barro e aos poucos se estabeleceram em terras que pertenciam ao sesmeiro Jerônimo de Ornelas.

Em 1772, a povoação foi finalmente desligada da jurisdição eclesiástica de Viamão, por uma pastoral do bispo do Rio de Janeiro, oficializando-se, assim, a Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais. Essa denominação seria mudada em janeiro do ano seguinte, para Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre. Assim, a cidade nasceu antes do que se considera oficialmente, e resultou do fracasso da ocupação da região das Missões.

Ainda em julho de 1772, foram desapropriadas as terras em que a vila estava situada e se começou a marcação das primeiras ruas. Deu-se início à construção da igreja no Alto da Praia, atual praça Marechal Deodoro. Aos poucos, o lugarejo tomava feições de cidade. E, em 24 de julho de 1773, Porto Alegre passou a ser a capital da capitania, com a instalação oficial do governo de José Marcelino de Figueiredo. A cidade iria evoluir rapidamente, sempre a partir de um pequeno núcleo que hoje constituí o seu centro. Em certos momentos, viveu episódios de tensão. Afinal, era a capital da capitania (depois província) mais meridional do Brasil, e que fazia fronteira com países com os quais houve diversos conflitos.Mas o período mais prolongado de dificuldades da capital não foi devido a nenhum conflito externo, como a Guerra do Paraguai. Foi causado pela Revolução Farroupilha, que se iniciou com um enfrentamento realizado no dia 20 de setembro de 1835 na própria capital, nas proximidades da ponte da Azenha. Com exceção dos primeiros dias, a capital gaúcha se manteria, durante os dez anos da revolução, nas mãos das tropas governistas.

Mas era constantemente sitiada e os farrapos procuraram isolá-la ao máximo. A resistência a um dos vários cercos que sofreu nesse período é que lhe valeu o título, dado pelo Imperador, de "mui leal e valorosa". Depois da Guerra dos Farrapos, a cidade retomou seu ritmo normal de desenvolvimento, permanecendo sempre no centro dos acontecimentos políticos e sociais do Estado e do país. Exemplos disto foram a ascensão de Getúlio Vargas, político gaúcho que se tornou um marco da história nacional, e o movimento da Legalidade, mantido pelo governo Brizola no início dos acontecimentos que conduziram ao Golpe de 1964

XARQUEADA

O começo da história

No século 18, enquanto ocorria o ciclo econômico da mineração no Brasil envolvendo os estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, havia uma crescente valorização do rebanho de gado existente no Rio Grande do Sul, introduzido pelos jesuítas no século 17. Os bois serviam para a alimentação e as mulas para o transporte dos mineradores. Para que fosse possível manter a carne em estado propício para ser consumida foi dado o início da conservação deste produto, primeiro através da sua secagem ao sol, na região do Ceará, sob a forma de carne de sol ou carne do sertão. Entretanto, uma grande seca no Ceará em 1777 aniquila os rebanhos. Para sorte dos gaúchos, no mesmo período é assinado o Tratado de Santo Ildefonso, que permitia uma trégua na luta entre espanhóis e portugueses, possibilitando investimentos econômicos na região, até então exclusivamente criadora de gado, através da estância.

Em 1779 é registrada a chegada do retirante da seca, o português José Pinto Martins, que transfere-se do Ceará para o RS, estabelecendo a primeira charqueada industrial dentro dos limites da Vila do Rio Grande, fundada em 1737. Esta primeira charqueada, localizada num dos distritos do futuro município, às margens do arroio Pelotas, protegeria a propriedade do vento e das areias do litoral, que arruinariam a produção. Outro ponto favorecedor era a fácil comunicação com o porto do Rio Grande através de iates.

A consolidação das fazendas

A consolidação das charqueadas, grandes propriedades rurais de caráter industrial, só se dá no século 19, às margens dos arroios Pelotas, Santa Bárbara, Moreira e canal São Gonçalo. O gado, matéria-prima, era proveniente de toda a campanha rio-grandense, introduzido em Pelotas através do Passo do Fragata e vendido na Tablada, grande local dos remates na região das Três Vendas.

Ao contrário do que possa parecer, nas charqueadas não se criavam bois. Haviam raras exceções, como a Charqueada da Graça, mas essa criação não dava conta da produção total do charque. Na chamada boca do arroio, entre o São Gonçalo e o arroio Pelotas, as terras foram rapidamente sendo tomadas por escravos. Só então a área adquire o nome de Passo dos Negros. Com o progresso advindo da venda do charque, em 1812 acontece a criação da Freguesia e em 1832 a instalação da vila, oficialmente criada em 1830. Somente em 1835 a vila é elevada à condição de cidade. Charqueadores transferiram-se do Rio Grande e se fixaram em Pelotas, construindo palacetes, principalmente depois da criação da Vila.

O charque era utilizado também para alimento dos escravos (outro era o bacalhau) em todo o Brasil e nos países que adotavam o sistema escravista, sobretudo o Caribe (Cuba, principalmente). Do gado, se aproveitava tudo: o couro, o pó dos ossos para fertilizante, o sangue para gelatina, a língua defumada, os chifres para várias utilidades. Esses produtos eram exportados para toda a Europa e os Estados Unidos.

O charque era quase exclusivamente produzido pelo Brasil. De concorrentes, apenas Uruguai e a Argentina. "Quando esses países estavam em crise, o que era comum em virtude das guerras civis, a produção pelotense atingia maior rentabilidade", enfatiza o historiador Magalhães. A safra era sazonal e durava de novembro a abril. As charqueadas tinham em média 80 escravos, ocupados nos intervalos da safra em olarias nas próprias charqueadas, derrubadas de mato e plantações de milho, feijão e abóbora nas pequenas chácaras que cada charqueador possuía na Serra dos Tapes, onde ficam hoje a Cascata e as colônias de Pelotas. Magalhães conta que os navios que levavam o charque não voltavam vazios. Traziam mantimentos, livros, revistas de moda, móveis, louças da Europa - e açúcar do Nordeste, consolidando a tradição do doce em Pelotas. "Embora aqui não se plantasse cana-de-açúcar, os doces de Pelotas chegaram a ser rivais dos do Nordeste, região açucareira por excelência."

Em 1820, eram 22 charqueadas (depoimento de Saint-Hilaire) e, em 1873, 38. "Número máximo que encontrei, num relatório da Presidência da Província", complementa.

Outro dado espantoso é o número de abates, num total de 400 mil cabeças de gado por ano. De acordo com as pesquisas de Magalhães, Simões Lopes Neto, na Revista do Primeiro Centenário de Pelotas, editada em 1911, comenta que até aquela data foram abatidas 45 milhões de reses e umas 200 firmas se sucederam.

O fim do ciclo do charque

As causas do encerramento do ciclo do charque em Pelotas foram várias. Uma das principais, a abolição dos escravos, quando deixa de existir o verdadeiro consumidor do produto. Magalhães explica que a concorrência de regiões gaúchas que antes apenas produziam a matéria-prima também foi outro golpe contra os charqueadores locais. "Depois de 1884, fundaram-se charqueadas em algumas cidades da fronteira, porque nesse ano estabeleceu-se a linha férrea, que permitia o escoamento do produto até o porto de Rio Grande." O advento dos frigoríficos, na década de 1910, foi outra. Em 1918, restaram apenas cinco charqueadas em Pelotas. "O coronel Pedro Osório, que começou como charqueador, passou a plantar arroz em 1905, transformando-se no maior industrial do setor no mundo e conhecido como Rei do Arroz".