sexta-feira, 8 de junho de 2012

O QUE ESPERAR COM A NOVA TAXA SELIC?


Breno Costa
Foco Econômico

N
o dia 30 de maio foi anunciada a queda da Taxa SELIC do patamar de 9% ao ano para o patamar histórico de 8,00% ao ano. A SELIC é a taxa do governo que serve como referência para as transações do mercado financeiro – empréstimos e aplicações em geral. Vamos observar como anda essa expectativa no mercado, qual o impacto dessa queda no juro real e no ranking mundial desse indicador, além de entender os impactos no mercado de crédito.

Essa queda ratificou a expectativa do mercado de queda dos juros. Essa expectativa é refletida em diversas fontes. A taxa de juros futura está na casa de 8%. O Relatório Focus do dia 25-Mai aponta para taxa de 8% no final do ano. A pesquisa da FEBRABAN de Abril mostra expectativa de fechamento dos juros para 2012 na casa dos 8,5% (provavelmente será revista para baixo na próxima pesquisa que sairá em breve).

Vale lembrar que até o final do ano ainda teremos mais 4 reuniões do COPOM (reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central que define a Taxa SELIC). As reuniões ocorrerão nos dias 10 e 11 de julho, 28 e 29 de agosto, 9 e 10 de outubro, 27 e 28 de novembro.

A Taxa SELIC é uma taxa de juros nominal. Para chegarmos na taxa de juros real, temos que descontar a inflação. Isso ocorre porque se você aplicar R$ 1.000,00 no início de um ano e retirar no final do ano terá o valor corrigido pela taxa nominal (no caso dos 8% ao ano, terá R$ 1.080,00), porém esse valor terá perdido poder de compra (expresso pela inflação – atualmente na casa dos 5,1% ao ano). Esse juro real no Brasil atualmente está na casa dos 3,2% ao ano. Com a expectativa de inflação para os próximos 12 meses esse juro cai para a casa dos 2,5% ao ano.

Há um Ranking de Juros Real (apurado pela Cruzeiro do Sul Corretora). Nesse ranking dos maiores juros reais, o Brasil agora figura em 3º lugar, atrás de dois países do BRIC Rússia e China respectivamente. Mas vale uma observação que o 4º lugar (Colômbia) tem juro real de 1,8%. Isso significa que mesmo que a inflação no Brasil fique no patamar atual (5,1%) e o juro ainda caia para a expectativa dos 8,0%, ficaremos no mesmo lugar desse ranking. Caso a inflação atinja o centro da meta (4,5%), a SELIC deveria ser em torno de 6,5% para que mudássemos de posição nesse ranking. Os demais países do BRIC – Índia e África do Sul -têm taxas de juros real de respectivamente 0,4% ao ano e -0,6% ao ano (isso mesmo, juros real negativa, ou seja, A taxa básica é menor que a inflação)

No mercado de crédito, como os concessores tomam dinheiro no mercado para emprestar a seus clientes, a Taxa SELIC funciona como referência para o custo desse capital. Dessa forma, com a queda nos custos, espera-se uma queda nos preços dos empréstimos - tal qual uma queda nos impostos do IPI do setor automotivo gera expectativa de queda dos preços dos carros. Acontece que essa componente de custo é das menores que o mercado enfrenta. Há ainda custos com perdas de créditos, impostos e custos operacionais. Dessa forma, uma queda de 0,5% ao ano deve ser imperceptível para o mercado.

Esse mercado esse que vem sendo pressionado “na marra” a diminuir seus spreads. A queda da SELIC ajuda um pouco, mas medidas no sentido de melhora da eficiência operacional, condições para concessão de crédito mais adequada (exemplo do Bureau Positivo) e eventuais quedas nos impostos são caminhos mais contundentes no sentido de redução dos spreads no mercado brasileiro de forma estrutural, sustentável e saudável para todos os agentes.